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Agora há pouco

08 de Julho de 2009

Agora há pouco, enquanto espremia uma espinha e ouvia os Concertos de Brandenburgo, resolvi criar este blog. Não vou fazer nenhuma das minhas piadinhas usuais de começo-de-blog (sim, já criei tantos que tenho piadinhas usuais) como “quanto tempo será que este vai durar?” ou “será que vou conseguir atualizar direito?” porque já me cansei delas e porque, talvez, não sejam apenas piadinhas, mas um certo tipo de profecia, de maldição, que condenam meus blogs à morte certa logo nos primeiros instantes de existência. Não acredito em maldições mas vai saber.

Infelizmente, a “ideia de criar um blog” não veio acompanhada de “ideia para post”, em grande parte porque minha vida e meu cérebro, nos últimos meses, vêm sendo ocupados por um projeto de dramaturgia que vai estrear na MTV na próxima terça-feira, 14 de julho, às 23h30, esse aqui, olha:

Descolados

e, por isso, não consigo pensar em muitas outras coisas. (Outro dia bati meu recorde de ficar sem assunto numa situação social e já estava quase secando de constrangimento quando fui salvo por uma menção a Steve Zissou – em outra mesa, e na verdade o que disseram foi “estive em Jaú”, mas dane-se –, então, Steve Zissou, e isso me possibilitou passar as horas seguintes recitando meus trechos favoritos, que compreendem mais ou menos o filme inteiro.)

Mas voltando ao Descolados aí em cima: dá pra assistir à promo no meu portfólio, além de umas outras coisas. Devo dizer que está bem legal, viu?

Num assunto não-relacionado, os links para outros blogs, ali na barra lateral, foram colocados com o único propósito de constranger seus autores. Peço desculpas, mas não muitas.

O triste é que

11 de Julho de 2009

O triste é que algumas das coisas mais divertidas parecem extremamente idiotas quando vistas de longe, e não estou falando do divertido “brincar no parquinho”, “olha só o marmanjão no balanço, ê, vê se cresce, rapaz!”, não, porque quem pensa assim de um balanço não tem bom coração. Estou falando, por exemplo, de discutir a origem do Universo num bar. Imagine a cena, visualize-a: estou lá, discorrendo animado sobre a expansão inflacionária, e a relatividade, e o experimento das duas fendas – quando, subitamente, reparo que alguém de outra mesa está me olhando com aquela cara de “peloamordedeus, do que esse idiota está falando?”, e aí toda a graça do momento se dissipa, e eu fico auto-consciente, e constrangido.1

Não que eu estivesse sendo tecnicamente incorreto (provavelmente estava, mas não vem ao caso porque o cara da outra mesa nunca tinha ouvido falar em “espuma quântica” na vida); a questão é que, pra quem olha de fora, qualquer pessoa que esteja falando sobre a origem do Universo está sendo prepotente, leviano, está fingindo saber mais do que sabe. E, claro, eu estava mesmo sendo prepotente, leviano, estava fingindo saber mais do que sei.2 Mas, pelos céus, era justamente essa a graça! A graça de falar sobre coisas que não domino com a mesma naturalidade com que discuto algum episódio de A Bit of Fry and Laurie. De tentar resolver os problemas do mundo enquanto como polenta, de procurar o sentido da vida enquanto espero na fila do banheiro. Discussões, argumentações, esforços inúteis, absolutamente inúteis – mas tão divertidos. Não é? Precisava vir alguém e me achar um idiota? Não, não precisava. E tem coisa mais chata do que alguém dizer “ah, não sei nada sobre isso, melhor ficar quieto” ou “ixi, sentido da vida? vamos falar de manufatura de calçados, disso aí eu sei”? Não, não tem.

A não ser.

A não ser que eu seja o cara da outra mesa. Aí, ah, quanta diferença. Porque aquele rapaz ali no canto, fazendo uma exegese de Kafka? faça-me o favor, parece um chimpanzé tocando tamborim. Aquele outro, tentando discorrer sobre os problemas da arte contemporânea? garanto que escreve “mexer” com “ch”. Olho-os com justificada arrogância, tentando calar-lhes a boca com um sorriso sarcástico de canto de boca, um leve, muito leve, meneio de cabeça, e o mais profundo ar de “você não sabe do que está falando, seu idiota”. E pra cada boa alma que tem a decência de assumir a própria ignorância e prefere ficar em silêncio a despejar suas teorias canhestras no mundo, eu acendo uma vela quando chego em casa.

E eu sei o que vocês estão pensando agora, tolinhos: estão pensando que este é o momento em que coloco os fatos em perspectiva e admito que todos nós, de vez em quando, nos encontramos no lugar daquele que se diverte falando de Kant sem nunca ter lido uma palavra sequer do que ele escreveu e, de vez em quando, no daquele que se irrita com quem discute o super-homem do Nietzsche achando que Lois Lane tem algo a ver com a história – concluindo, portanto, que devemos ser compreensivos e fraternos e saltitar de mãos dadas. Mas não, não: o resumo é outro. Basicamente, eu falo as bobagens que quiser, e me deixem em paz. Mas vocês, ora, por favor! fiquem quietinhos. Ou, se é pra falar, que falem baixo, sentem longe.

  1. E não me venha com essa de “eu não ligo pro que os outros pensam”, porque se isso for verdade você é o mais insuportável dos seres, e eu não quero saber seu nome, muito menos apertar sua mão. []
  2. Todo o meu conhecimento sobre a origem do Universo veio de dois livros do Brian Greene e um do Stephen Hawking, sendo que desse último não entendi metade. []

É hoje

14 de Julho de 2009

que estreia a série. Não vou falar pra vocês assistirem porque vocês já iam fazer isso, né? Já, claro que já. 23h30, na MTV.

It’s a hit,

15 de Julho de 2009

bitch.

Vi que algumas pessoas

Vi que algumas pessoas entram aqui usando o Explorer. Aí fui lá, e usei um PC, e entrei aqui com o Explorer. E então, o choque: o site fica um lixo. Peloamordedeus, usuários do Explorer: não é assim que as coisas deveriam ser. A barra lateral deveria ficar – surpresa! – na lateral; a borda feiosa em volta do logo não deveria existir; esse scroll extra aí do lado também não. Tudo, tudo errado.

Vou tentar consertar mas, talvez, pro site funcionar na cria da Microsoft, eu tenha que sacrificar o XHTML-Strict que deu tanto trabalho pra fazer. E sabe por quê? Porque a Microsoft é uma besta e se recusou durante anos a fazer um browser que seguisse as especificações standard da internet; um código que funciona no Firefox, no Chrome, no Safari – em QUALQUER outro – quebra no Explorer.

Olha, Microsoft, tá de parabéns, viu?

Mas, em verdade, a grande pergunta é: por que diabos vocês ainda usam o Explorer? Não há motivos, simplesmente não há. Os três que citei ali em cima são grátis, melhores, mais rápidos, mais seguros e better-looking. Escolha um e seja feliz. (Sim, existe Safari para Windows). Enquanto isso eu vou tentar deixar o site apresentável para todo mundo. Ai, ai, te contar.

Atualização: muito bem, acho que as coisas melhoraram. Ainda não está tinindo, mas passa. E o XHTML-Strict continua.

A rosa púrpura de James Bond

16 de Julho de 2009

Estava cheio de coisa pra fazer e tal1, mas aí lembrei que ainda não tinha assistido à Rosa Púrpura do Cairo, e por algum motivo me pareceu que isso não podia continuar assim. Sofro de uma vergonhosa lacuna no quesito Woody Allen, porque antes eu detestava Woody Allen. Parem!, parem de jogar pedras, já aprendi a lição: depois de ver Annie Hall virei uma pessoa de bem, trabalhadora, até pago uns impostos aí. E agora assisti à Rosa Púrpura do Cairo.

Mas não vou falar sobre o filme não.

Vou falar sobre uns sites de capas de livros:

The Book Cover Archive: muita coisa aí, dá pra procurar por designer, autor, título e um monte de outros jeitos.

Covers: mantido por designers que escolhem uma capa a cada dois ou três dias (em geral) pra discutir.

The Book Design Review: um blog frequentemente atualizado, bem bacaninha.

E, pra finalizar, um generoso bônus: as edições do James Bond publicadas pela Penguin em comemoração ao centenário de nascimento do Ian Fleming.

  1. Aliás, pra quem entrou aqui por causa do Descolados, eis um pequeno behind the scenes: estamos terminando o roteiro do 12o episódio, e está ficando supimpa. []

Sempre que alguém fala

18 de Julho de 2009

Sempre que alguém fala que um livro tem “ritmo acelerado” eu desconfio. Geralmente esse “ritmo” tem a ver com frases curtas, secas, diretas, e muito, muito chatas, tipo essas aqui:

O cachorro olhou pra ele. Olhos tristes, quase de vidro. Um chute. Cachorro voando, mas não muito. Cabeça no meio-fio. Sangue escorrendo. Uma puta viu e disse: “Filhodaputa!” Engraçado. A puta era ela.

que eu acabei de inventar, e já me sinto enjoado por tê-las escrito, peraí que vou pegar um sal de frutas.

E olha só, olha só: coincidentemente, estava passeando pelo site do Sérgio Rodrigues, e ele postou umas frases que o António Lobo Antunes (nunca li, by the way, mas talvez o faça um dia) disse na FLIP, e uma delas é: “Muitas vezes aquilo que os críticos chamam de qualidade são defeitos disfarçados”. É mais ou menos o que penso dos escritores-de-frases-curtas. Se você não pode falar mal dos livros deles – porque são seus amigos, porque tem medo que eles revidem, ou sei lá por que –, tem que achar algumas supostas qualidades ali no meio, e a primeira coisa que ocorre é o tal do “ritmo acelerado”.

Só que, c’mon, não faz sentido.

Quando leio um parágrafo desses me sinto num carro andando aos soquinhos, que nem quando você está aprendendo a dirigir e ainda não sabe direito quanto pisar no acelerador, quão rápido tirar o pé da embreagem, essas coisas. Não tem nada de “ritmo acelerado” em andar um pouquinho, opa, para, soquinho, andar mais um pouquinho. Ler um livro inteiro escrito assim é como ir de São Paulo a Salvador aos soquinhos, com a cabeça sendo atirada para frente e para trás durante as mais de vinte horas de trajeto. Eu, que prezo minha coluna, paro no primeiro posto de beira de estrada e fico comendo pão-de-queijo com Sukita, esperando um motorista melhor.

Helvetica

21 de Julho de 2009

Ixi, agora que a Fernanda linkou (lincou? linquou?) pra cá, assim, na página principal, isso aqui tá enchendo de gente.

Isso é coisa que se faça, Fernanda? Tem ideia de que, por causa disso, terei de atualizar, a‑tu‑a‑li‑zar este negócio?

Mas tudo bem, dessa vez passa, porque eu tinha mesmo uma coisa pra contar.

Acontece que o melhor filme que vi nos últimos tempos foi o Helvetica, sobre, vejam vocês, a Helvetica, aquela fonte tipográfica que tem nos Macs mas que, no Windows, foi substituída pela picareta da Arial, que nada mais é que uma cópia descarada e piorada da Helvetica, sabiam disso? pois é verdade, e a prova está aqui.

No filme tem um monte de gente falando sobre ela – a Helvetica –, e um monte de imagens mostrando que ela está em todo lugar. Ubíqua! Consegui usar essa palavra uma vez na vida. Aí fiquei querendo saber mais sobre tipografia. (Sim, levo uma vida interessante, hahaha, ótima piada, vai ali pro cantinho, vai? minha vida é mais legal que a sua, otário.) Então. Eu meio que já gostava dessa coisa toda, já gostava de design de capa de livro e de outros designs também, mas agora tô pesquisando sobre tipografia, e baixei milhares, sério mesmo: milhares de fontes, e, pra ser sincero, não faço a menor ideia do que fazer com elas.

A coisa boa foi que achei uns sites bacanas que, nesse instante, compartilho:

I Love Typography: em especial, vejam isso;

The Ministry of Type: isso é incrível;

● e devo dizer que o termo “instalação” sempre me dá uns calafrios, vertigens, outro dia até desmaiei, mas isso aqui parece ter sido legal.

A Guerra de Arturo vai estrear

27 de Julho de 2009

A Guerra de Arturo vai estrear. Inacreditável. As filmagens aconteceram há dois anos e meio, e antes disso eu tinha ficado um ano trabalhando no roteiro. Bastante tempo, né? Também acho. Mas agora está pronto. E vai passar na Cinemateca, dia 4 de agosto, às 18h00, às 20h15 e às 21h30.

Na mesma sessão vai passar A Visita e Laurita. Os três filmes foram produzidos ou coproduzidos (pois é, tchau, hífen! eu gostava de você) pela Massa Real, que é a firma de uns amigos, e que também faz o Massaroca, um programete que passa no Metrópolis.

Então vai lá, que vai ser bacana. Pode chamar os amiguinhos, se tiver algum; se não tiver, pode ir sozinho também. Ou, sei lá, pode ficar triste em casa ouvindo Louis Armstrong, tentando imaginar onde fica esse tal Wonderful World repleto de pessoas felizes com rostos iluminados pelo sol de uma tarde fresca de primavera e passarinhos nos ombros, que todos parecem conhecer menos você, e que não lembra em nada o pântano arrastado, seboso e frio em que você passa seus dias enquanto se afoga em vinho barato e Dan Top.

Mas eu acho que você devia ir lá. Vai ter explosões e tal.

A Guerra de Arturo

Que sei eu sobre as mulheres

29 de Julho de 2009

Não é uma pergunta, é uma lista que fiz reunindo todo o meu conhecimento sobre o assunto. Não vou incluir o óbvio, tipo “mulheres gostam de chocolate” ou “mulheres gostam que você seja cavalheiro, mas não muito, que muito é coisa de viado” ou “mulheres odeiam se depilar e às vezes ficam um pouco peludas, mas jamais diga isso em voz alta” porque, meu caro, não saber disso é como tentar conquistar uma garota dando um tapão na nuca dela enquanto grita “cuidado, uma joaninha!” (já testei, não deu certo).

Então aqui vai ela, a lista, complete and unabridged, para maior glória de Alá:

● mulheres não gostam de Battlestar Galactica.

Fiquem avisados: “aluguei a terceira temporada de Battlestar Galactica” não é – eu sei, parece estranho, mas acreditem, é verdade –, repito, Battlestar Galactica não é sinônimo de diversão garantida para uma mulher. Elas preferem pintar a unha, comprar sapato, transar, sei lá eu.

Tinha uma outra coisa também, mas esqueci.