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When in doubt

26 de October de 2009

Irritado com a quantidade de filmes ruins, chatos, sem-graça, pretensiosos e pseudo-artísticos que pululam nos festivais de cinema brasileiro, resolvi criar uma lista de ideias absolutamente infalíveis para melhorá-los. Vale mais que todos os cursos de roteiro que existem por aí.

1. Máfia chinesa
Todo e qualquer filme ficaria mais legal se a máfia chinesa aparecesse em, pelo menos, duas ou três cenas. Homens de terno preto que nunca sorriem. (Talvez o líder, ou o braço direito do líder, seja mais extravagante, e use um blazer amarelo brilhante e tenha uma risada escandalosa.) Eles devem ter armas e espadas, obviamente, e usar óculos escuros. Yakuza e máfia coreana (em ascensão) também valem.

2. Explosão
Se há um carro, um ônibus, um imóvel – casa, prédio, Palácio do Planalto –, uma caixa de correio ou um envelope, há uma explosão em potencial.

3. Cabeça de cavalo na cama
Como O Poderoso Chefão já marcou muito essa ideia, pensei em algumas alternativas: cabeça de avestruz na poltrona, cabeça de tamanduá na estante, cabeça de chiuaua na privada. Decepe-as, agora.

4. Alienígena
Pode ser uma besta naturalmente assassina (Alien), pode ser uma besta naturalmente assassina com muitas armas legais (Predador). Só, por favor, não me façam uma besta naturalmente assassina com pele de papel higiênico (Sinais)1.

5. Luta
Todo filme que tem kung fu ganha, de saída, nota 7; a partir daí, só pode melhorar. Outros tipos de luta também contam, mas tem que ser bonito de ver.

6. Cara que voa
Já falei disso várias vezes aqui, mas vamos repetir porque é importante: um cara que voa é sempre, SEMPRE uma boa pedida. Ou então uma mulher que voa – aliás, mulher que voa está em falta no cinema, e acho que alguém deveria explorar esse filão.

7. Atiçador de lareira
Talvez seja difícil justificar a presença de um, a não ser que o filme se passe em Campos do Jordão ou coisa assim, mas vale a pena: em 1946, Karl Popper estava apresentando uma conferência no Clube de Ciência Moral de Cambridge. Popper achava que existiam problemas filosóficos genuínos; Wittgenstein, que era o presidente do clube, achava que existiam apenas problemas linguísticos disfarçados de problemas filosóficos.

Bom, só sei que os dois começaram a discutir. Aí o Wittgenstein pirou de vez e começou a ameaçar Popper com um atiçador de lareira, brandindo-o enlouquecidamente. Dizem que foi Bertrand Russell quem apartou a briga: “Wittgenstein, put that poker down at once!”2

Todos hão de admitir que isso deixou a conferência muito mais legal. E, se um atiçador de lareira consegue fazer isso com uma conferência de filosofia, imagina os benefícios que pode trazer a um filme.

  1. Nova ressalva, agora que vi District 9: não importa qual seja sua metáfora política/social, uma sociedade de extraterrestres que chegou à viagem interestelar e tem armas capazes de explodir cidades inteiras NÃO vai aceitar ser confinada numa favela e para passar o resto dos dias trocando sua tecnologia legal por ração de gato. Sério: não vai. []
  2. Agradecimentos a Fabio Danesi Rossi por ter me contado essa história. []


2 comentários:

  1. meu trabalho fica a umas poucas centenas de metros do palácio do planalto. na ida, passo por ali em torno das 8h45; na volta, 18h05 a 18h10. vamos combinar a explosão pra horários que não esses? sem mais, grata.


  2. Uma palavra, não duas, bom, três: Park Chan-Wook


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