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Lucky Manuelo

12 de Agosto de 2009

Das músicas-que-ficam-na-cabeça-e-não-saem-nunca-mais, Lucky Manuelo é a maior1. Mas você nunca ouviu falar de Lucky Manuelo que eu sei, nem adianta fazer essa cara de entendido tentando me enganar. Ela é de um filme chamado Iedereen– não, espera, para com isso!, saia já do YouTube, não é pra procurar, agora não é o momento. Tenha modos e deixe-me terminar.

Então, estava falando. A música é de um filme chamado Iedereen beroemd!, traduzido, sei lá se bem ou mal, como Fama para todos. É um filme belga, e quantos filmes belgas você já viu? Mas isso não importa.

A questão é que a música só toca lá pro final, e é pra ser emocionante, e se você assistir agora, assim, sem contexto, não vai ter emoção. E aí não pode, não pode. Você não quer estragar o Iedereen! Tem que assistir ao filme inteiro e se emocionar, que nem eu fiz, e só depois ficar cantarolando Lucky Manuelo no banho, no trabalho, enquanto come farofa e salpica toda a mesa. Então vai lá e aluga.

Também ando ouvindo muito a 104a sinfonia do Haydn, mas isso só estou falando pra parecer cult e sofisticado, uh, olha só, ele ouve música clássica.

Outra boa de cantarolar, e que também é bonitinha e emociona, é a do Discovery Channel. Talvez você conheça; se não, tá aqui:

  1. Considerando, claro, só as músicas bacaninhas, não as que levam ao suicídio. []

Ontem eu estava dormindo

09 de Agosto de 2009

Ontem eu estava dormindo, tranquilo, aproveitando que não tinha horário pra acordar, quando ouvi uma barulheira lá na rua. Decidi ignorá-la, porque a cama estava gostosa. O interfone tocou. Ignorei-o também, provavelmente era engano. Então alguém socou minha porta. Oquei, aí já era demais.

Fui abrir e encontrei um policial percorrendo os corredores e batendo em todas as portas. E, assim que ele me viu, disse: “Desce pela escada que o prédio tá pegando fogo!”

Ih, rapaz.

Desci, ainda com a calça moletom cinza que me serve de pijama, e encontrei um monte de gente na calçada: moradores, policiais e uns curiosos. Lá de baixo, víamos a fumaça saindo do topo do prédio.

Chegaram os bombeiros, naquele caminhão legal – caminhão de bombeiro é o máximo –, e eles foram olhar o que estava acontecendo.

E era bem menos emocionante do que parecia. Algo a ver com o exaustor do Sujinho. Em menos de 15 minutos nos disseram que tava tudo certo e que a gente já podia subir.

Tá, tá, eu sei, é um final meio sem clímax. Mas acho que, nesse caso, prefiro arcar com a falta de um clímax a ter uma narrativa explosiva pra contar – especialmente porque essa explosão envolveria meus livros, meu computador, minhas roupas.

Anyway. Um jeito atípico de começar um sábado.

Voo é o super-poder

06 de Agosto de 2009

Voo é o super-poder mais legal, mas parece não ser suficiente pros super-heróis de verdade. Eles nunca voam, que isso é coisa de herói pobrinho, tipo quem tem um Porsche mas comprou usado no feirão; eles controlam o tempo, disparam raios de energia, viram purpurina, dançam o quebra-nozes – e também voam. Meio que um brinde, e ninguém presta muita atenção, só serve pra chegar mais rápido nos lugares e salvar umas mocinhas que caem de prédios. (Aliás, nunca entendi direito essa história de salvar mocinha caindo, porque o impacto de ser subitamente agarrada a dois metros do chão é quase o mesmo de simplesmente atingir o chão – a não ser que o herói a desacelerasse aos pouquinhos, o que eles nunca fazem, ou que ele tivesse uns braços muito, muito macios –, e a mocinha morreria de qualquer maneira, ou pelo menos quebraria umas costelas e teria hemorragia interna grave).

(No Matrix Reloaded é ainda pior porque a Trinity estava caindo a, no máximo, 524,13km/h, que é o recorde mundial de velocidade em queda livre, e o Neo aparece voando a um zilhão de km/h, arrastando carro e tudo; ou seja, caindo na calçada a Trinity morreria e tal, mas sendo pega pelo Neo ela viraria geleca.)

(Tá, parei.)

Rocketeer é legal porque é inteiro sobre um cara que voa usando jet-pack, sem visão de raio-x nem força sobre-humana1. É legal também porque tem a Jennifer Connelly novinha. Foi meio que um fracasso de bilheteria, porque lançaram logo antes do Exterminador do Futuro II, e aí não dá, né? Mas é bem divertido, e o capacete que o Bill Campbell usa é a coisa mais bacana do mundo.

Também tinha um filme que passava no SBT sobre um moleque que voava, mas ele não usava jet-pack, voava por voar mesmo, e se não me engano era meio gordo. As pernas e os braços dele ficavam pendurados, balançando molengas, meio triste de ver. Porque voava, o moleque era perseguido por todo mundo – governo, cientistas, imprensa – e acabava indo embora depois de se despedir da menininha que ele gostava. É, contei o final, mas não importa muito, era tosco e vocês não iam querer assistir.

E também vi Tron outro dia, mas em Tron ninguém voa, então deixa pra lá.

E aquela pergunta? “Você preferiria voar ou ficar invisível?” Eu sempre me assustei com pessoas que escolhem ficar invisíveis. Ora, ora! Bando de pervertidos esperando uma chance de olhar as garotas nos vestiários, isso sim. Não que eu não queira olhar as garotas nos vestiários, claro que quero. Mas é pra isso que inventaram a internet – enquanto que jogar Flight Simulator está longe, muito longe, de um jet-pack de verdade.

  1. Até hoje fantasio em ter um jet-pack, taí uma vontade de criança que jamais superei. []

Olha só quanta coisa

04 de Agosto de 2009

Olha só quanta coisa bacanuda acontece hoje: às 19h00, 20h15 e 21h30, na Cinemateca, sessões de A Visita, Laurita e A Guerra de Arturo (sendo que o roteiro deste último foi escrito por moi). Estarei na sessão das 21h30. E, às 23h30, na MTV, quarto episódio de Descolados.

Diversão a valer, é ou não é? E tem coisa mais chata que alguém perguntar se “é ou não é”? Tem ou não tem?

No episódio de Descolados, por favor atentem ao narrador do trailer do cinema. Reparem na voz cheia de emoção, carisma, profundidade. E reparem, também, que a voz é minha.

(E ainda bem que gravei aquilo semana passada, porque depois fiquei com uma dor de garganta que só começou a arregar hoje, e ia parecer que o narrador tinha feito uma traqueostomia.)

Que sei eu sobre as mulheres

29 de Julho de 2009

Não é uma pergunta, é uma lista que fiz reunindo todo o meu conhecimento sobre o assunto. Não vou incluir o óbvio, tipo “mulheres gostam de chocolate” ou “mulheres gostam que você seja cavalheiro, mas não muito, que muito é coisa de viado” ou “mulheres odeiam se depilar e às vezes ficam um pouco peludas, mas jamais diga isso em voz alta” porque, meu caro, não saber disso é como tentar conquistar uma garota dando um tapão na nuca dela enquanto grita “cuidado, uma joaninha!” (já testei, não deu certo).

Então aqui vai ela, a lista, complete and unabridged, para maior glória de Alá:

● mulheres não gostam de Battlestar Galactica.

Fiquem avisados: “aluguei a terceira temporada de Battlestar Galactica” não é – eu sei, parece estranho, mas acreditem, é verdade –, repito, Battlestar Galactica não é sinônimo de diversão garantida para uma mulher. Elas preferem pintar a unha, comprar sapato, transar, sei lá eu.

Tinha uma outra coisa também, mas esqueci.

A Guerra de Arturo vai estrear

27 de Julho de 2009

A Guerra de Arturo vai estrear. Inacreditável. As filmagens aconteceram há dois anos e meio, e antes disso eu tinha ficado um ano trabalhando no roteiro. Bastante tempo, né? Também acho. Mas agora está pronto. E vai passar na Cinemateca, dia 4 de agosto, às 18h00, às 20h15 e às 21h30.

Na mesma sessão vai passar A Visita e Laurita. Os três filmes foram produzidos ou coproduzidos (pois é, tchau, hífen! eu gostava de você) pela Massa Real, que é a firma de uns amigos, e que também faz o Massaroca, um programete que passa no Metrópolis.

Então vai lá, que vai ser bacana. Pode chamar os amiguinhos, se tiver algum; se não tiver, pode ir sozinho também. Ou, sei lá, pode ficar triste em casa ouvindo Louis Armstrong, tentando imaginar onde fica esse tal Wonderful World repleto de pessoas felizes com rostos iluminados pelo sol de uma tarde fresca de primavera e passarinhos nos ombros, que todos parecem conhecer menos você, e que não lembra em nada o pântano arrastado, seboso e frio em que você passa seus dias enquanto se afoga em vinho barato e Dan Top.

Mas eu acho que você devia ir lá. Vai ter explosões e tal.

A Guerra de Arturo

Helvetica

21 de Julho de 2009

Ixi, agora que a Fernanda linkou (lincou? linquou?) pra cá, assim, na página principal, isso aqui tá enchendo de gente.

Isso é coisa que se faça, Fernanda? Tem ideia de que, por causa disso, terei de atualizar, a‑tu‑a‑li‑zar este negócio?

Mas tudo bem, dessa vez passa, porque eu tinha mesmo uma coisa pra contar.

Acontece que o melhor filme que vi nos últimos tempos foi o Helvetica, sobre, vejam vocês, a Helvetica, aquela fonte tipográfica que tem nos Macs mas que, no Windows, foi substituída pela picareta da Arial, que nada mais é que uma cópia descarada e piorada da Helvetica, sabiam disso? pois é verdade, e a prova está aqui.

No filme tem um monte de gente falando sobre ela – a Helvetica –, e um monte de imagens mostrando que ela está em todo lugar. Ubíqua! Consegui usar essa palavra uma vez na vida. Aí fiquei querendo saber mais sobre tipografia. (Sim, levo uma vida interessante, hahaha, ótima piada, vai ali pro cantinho, vai? minha vida é mais legal que a sua, otário.) Então. Eu meio que já gostava dessa coisa toda, já gostava de design de capa de livro e de outros designs também, mas agora tô pesquisando sobre tipografia, e baixei milhares, sério mesmo: milhares de fontes, e, pra ser sincero, não faço a menor ideia do que fazer com elas.

A coisa boa foi que achei uns sites bacanas que, nesse instante, compartilho:

I Love Typography: em especial, vejam isso;

The Ministry of Type: isso é incrível;

● e devo dizer que o termo “instalação” sempre me dá uns calafrios, vertigens, outro dia até desmaiei, mas isso aqui parece ter sido legal.

Sempre que alguém fala

18 de Julho de 2009

Sempre que alguém fala que um livro tem “ritmo acelerado” eu desconfio. Geralmente esse “ritmo” tem a ver com frases curtas, secas, diretas, e muito, muito chatas, tipo essas aqui:

O cachorro olhou pra ele. Olhos tristes, quase de vidro. Um chute. Cachorro voando, mas não muito. Cabeça no meio-fio. Sangue escorrendo. Uma puta viu e disse: “Filhodaputa!” Engraçado. A puta era ela.

que eu acabei de inventar, e já me sinto enjoado por tê-las escrito, peraí que vou pegar um sal de frutas.

E olha só, olha só: coincidentemente, estava passeando pelo site do Sérgio Rodrigues, e ele postou umas frases que o António Lobo Antunes (nunca li, by the way, mas talvez o faça um dia) disse na FLIP, e uma delas é: “Muitas vezes aquilo que os críticos chamam de qualidade são defeitos disfarçados”. É mais ou menos o que penso dos escritores-de-frases-curtas. Se você não pode falar mal dos livros deles – porque são seus amigos, porque tem medo que eles revidem, ou sei lá por que –, tem que achar algumas supostas qualidades ali no meio, e a primeira coisa que ocorre é o tal do “ritmo acelerado”.

Só que, c’mon, não faz sentido.

Quando leio um parágrafo desses me sinto num carro andando aos soquinhos, que nem quando você está aprendendo a dirigir e ainda não sabe direito quanto pisar no acelerador, quão rápido tirar o pé da embreagem, essas coisas. Não tem nada de “ritmo acelerado” em andar um pouquinho, opa, para, soquinho, andar mais um pouquinho. Ler um livro inteiro escrito assim é como ir de São Paulo a Salvador aos soquinhos, com a cabeça sendo atirada para frente e para trás durante as mais de vinte horas de trajeto. Eu, que prezo minha coluna, paro no primeiro posto de beira de estrada e fico comendo pão-de-queijo com Sukita, esperando um motorista melhor.

A rosa púrpura de James Bond

16 de Julho de 2009

Estava cheio de coisa pra fazer e tal1, mas aí lembrei que ainda não tinha assistido à Rosa Púrpura do Cairo, e por algum motivo me pareceu que isso não podia continuar assim. Sofro de uma vergonhosa lacuna no quesito Woody Allen, porque antes eu detestava Woody Allen. Parem!, parem de jogar pedras, já aprendi a lição: depois de ver Annie Hall virei uma pessoa de bem, trabalhadora, até pago uns impostos aí. E agora assisti à Rosa Púrpura do Cairo.

Mas não vou falar sobre o filme não.

Vou falar sobre uns sites de capas de livros:

The Book Cover Archive: muita coisa aí, dá pra procurar por designer, autor, título e um monte de outros jeitos.

Covers: mantido por designers que escolhem uma capa a cada dois ou três dias (em geral) pra discutir.

The Book Design Review: um blog frequentemente atualizado, bem bacaninha.

E, pra finalizar, um generoso bônus: as edições do James Bond publicadas pela Penguin em comemoração ao centenário de nascimento do Ian Fleming.

  1. Aliás, pra quem entrou aqui por causa do Descolados, eis um pequeno behind the scenes: estamos terminando o roteiro do 12o episódio, e está ficando supimpa. []

Vi que algumas pessoas

15 de Julho de 2009

Vi que algumas pessoas entram aqui usando o Explorer. Aí fui lá, e usei um PC, e entrei aqui com o Explorer. E então, o choque: o site fica um lixo. Peloamordedeus, usuários do Explorer: não é assim que as coisas deveriam ser. A barra lateral deveria ficar – surpresa! – na lateral; a borda feiosa em volta do logo não deveria existir; esse scroll extra aí do lado também não. Tudo, tudo errado.

Vou tentar consertar mas, talvez, pro site funcionar na cria da Microsoft, eu tenha que sacrificar o XHTML-Strict que deu tanto trabalho pra fazer. E sabe por quê? Porque a Microsoft é uma besta e se recusou durante anos a fazer um browser que seguisse as especificações standard da internet; um código que funciona no Firefox, no Chrome, no Safari – em QUALQUER outro – quebra no Explorer.

Olha, Microsoft, tá de parabéns, viu?

Mas, em verdade, a grande pergunta é: por que diabos vocês ainda usam o Explorer? Não há motivos, simplesmente não há. Os três que citei ali em cima são grátis, melhores, mais rápidos, mais seguros e better-looking. Escolha um e seja feliz. (Sim, existe Safari para Windows). Enquanto isso eu vou tentar deixar o site apresentável para todo mundo. Ai, ai, te contar.

Atualização: muito bem, acho que as coisas melhoraram. Ainda não está tinindo, mas passa. E o XHTML-Strict continua.